Luso Bussaco, um trail no Altar da natureza

Luso Bussaco

Foto: Sónia Almeida Fotografia

Numa organização da Associação Trilhos Luso Bussaco, com apoio do Município da Mealhada, Junta de Freguesia de Luso, A.A.A. e ATRP, realizou-se no passado dia 19 de maio de 2019, a segunda edição dos Trilhos Luso Bussaco, certificada pela ATRP.

Foto: Ronron-purpur.photography

Luso

O Luso é uma vila termal que, situada no sopé da serra do Bussaco, tira partido da excelência das águas oriundas do lençol do Bussaco. As termas, que além da utilização tradicional, dispõem também de um spa, são conhecidas desde tempos ancestrais pelo tratamento de problemas renais e males da pele.

A fonte de São João, localizada na zona nobre da vila, é um ponto de paragem obrigatório, seja para beber água, seja para apreciar os azulejos que a rodeiam e contam a história dos “burriqueiros“, habitantes da terra que, no início do século XX, usavam os burros quer para transportar visitantes à mata, quer para transportar água a outras localidades.

Foto: Sónia Almeida Fotografia

Altar da natureza

A mata que existe ainda hoje na Serra do Buçaco foi mandada plantar pela Ordem dos Carmelitas Descalços no primeiro quarto do século XVII; os Carmelitas construíram também aí o Convento de Santa Cruz do Buçaco, destinado a albergar essa ordem monástica, e que existiu entre 1628 e 1834, data da extinção das ordens religiosas em Portugal. Presentemente, no seu lugar existe o Hotel Palace Buçaco.

Com 105 hectares e cerca de 5 km de perímetro, é Monumento Nacional desde 1943. Classificada por botânicos como um dos melhores arboretos da Europa e por poetas como o “altar da natureza”, tem no seu interior cerca de 700 espécies de árvores, exóticas e indígenas.

Foto: KabazuK Photography

Ao percorrermos as suas veredas, em passeios pedonais, estamos em plena floresta amazónica ou na Tasmânia, caminhado pelo Vale dos Fetos.

Foi nesta serra que se travou a batalha do Buçaco em 1810, entre as forças anglo-lusas comandadas pelo Duque de Wellington, de um lado, e as francesas comandadas por André Massena, de outro, facto que é recordado no Museu Militar do Buçaco.

Foto: Sónia Almeida Fotografia

Trilhos Luso Bussaco

Este evento foi composto por duas provas de trail e uma caminhada.

– Trail longo, prova com cerca de 30km a contar para a Taça de Portugal de Trail
– Mini Trail, prova com cerca de 15km
– Caminhada, com cerca de 10Km

Os percursos foram percorridos na sua maioria nos belíssimos trilhos da Serra do Bussaco e zonas limítrofes.

O trail longo partiu cerca das 8 horas e 30 minutos e meia hora mais tarde o trail curto, prova em que participei este ano pela primeira vez.

Foto: KabazuK Photography

À hora prevista foi dada a partida encontrando-se o percurso desde logo encaminhado para a primeira subida longa de mais ou menos quatro quilómetros, com passagem pelo majestoso jardim do Palácio do Bussaco, e em que escadas não faltaram!

Sem dúvida que o esforço inicial da corrida foi sobejamente recompensado pelo privilegio de pisar solo com tamanha importância histórica.

Atingido um dos pontos mais altos do percurso no Miradouro da Cruz Alta, podemos contemplar a magnífica paisagem envolvente da Serra do Bussaco, quem não conhece não pode desperdiçar essa oportunidade, vale mesmo a pena.

Foto: KabazuK Photography

Um sobe e desce constante

Posteriormente e até sensivelmente ao quilómetro doze começamos a encontrar um misto de trilho técnico e estradões num sobe e desce constante por single tracks característicos da zona, assim como zonas de muita pedra solta, o que levava a que os mais fortes fisicamente e tecnicamente aproveitassem para se destacarem e ganhar vantagem e distância para os restantes atletas.

A parte final do percurso fez-se a grande velocidade num zigue zague constante, onde voltámos a apanhar novamente mais escadas e trilhos técnicos até à meta.

Foto: KabazuK Photography

De salientar que em vários locais da prova encontrámos pessoas de várias nacionalidades, nomeadamente franceses e ingleses que passeavam por ali e deram um incentivo extra, apoiando aos atletas presentes.

À partida para a prova do trail longo 30km encontravam-se inscritos 153 atletas tendo terminado 140, já no que diz respeito à prova do trail curto 15km encontravam-se inscritos 450 atletas terminando a prova 385.

A marcação da prova esteve exemplar e sem falhas a assinalar, com fitas de cor branca e colocadas a curta distância umas das outras.

No que diz respeito a abastecimentos a prova de 30 km contou com 3 abastecimentos (2 sólidos/liquido e 1 liquido) e ainda o abastecimento final, a prova de 15km contou com 2 abastecimentos (1 sólidos/liquido e 1 liquido) e também o abastecimento final.

Foto: KabazuK Photography

30 kms – Trilhos Luso Bussaco

Percorrendo a distância em 02h32m10s Fernando Lemos – Gaia Trail obteve a vitória, seguindo-se o espectáculo habitual em alguns eventos da aplicação, do esforço, do empenho dos atletas na obtenção da melhor classificação, foi o que aconteceu entre João Fernandes – Zona Altra Trail – 02h38m58s e João Trigueiros – Gaia Trail – 02h39m00s, 2 segundos separam o 2º e 3º lugar.

Beatriz Alves – DCI / Trilhos Luso Bussaco, venceu com o tempo de 03h22m07s, seguida de Ariana Tavares – Viseu Running Team – 03h34m59s em 2º lugar e Filipa Casimiro – A. C. S. Mamede – 03h36m30s em 3º lugar.

Foto: Sónia Almeida Fotografia

15 kms – Trilhos Luso Bussaco

A equipa do Saca Trilhos Anadia dominou por completo o escalão colocando as suas representates nos três primeiros lugares, a vitória sorriu a Inês João – 01h51m10s, Joana João – 02h03m02s foi a 2ª e Ana Ribeiro – 02h06m19s a 3ª.

Nuno Fernandes foi o representante de OPraticante.pt nesta distância obtendo 149º geral / 20º M40 – 02h29m25s

Rui Figueiredo – Trail Bela Bela – 01h32m58s venceu, Gildo Silva – Saca Trilhos Anadia – 01h36m37s e Milton Santos – DCI / Trilhos Luso Bussaco – 01h37m44s completaram o pódio.

Foto: Sónia Almeida Fotografia

A caminhada de 10km teve 1 abastecimento (sólido/liquido) durante a mesma e ainda um abastecimento de sólidos e líquidos no final.

A prova terminou no local onde se iniciou, em ambiente de festa, e camaradagem, como é característico nesta modalidade, incluindo a simpatia e profissionalismo da organização. Havia à disposição de todos, água, marmelada, fruta e todos os atletas foram contemplados por um fresco pão com chouriço, premio finisher e como não podia deixar de ser uma garrafa de água do Luso.

Foto: KabazuK Photography

E deixamos o convite para que visualizem mais fotos nas páginas dos fotógrafos abaixo referidos, que colaboraram para a ilustração deste artigo.

Foto de capa da autoria de Sónia Almeida Fotografia.

[divide icon=”circle” width=”medium”]

Texto: Nuno Fernandes
Fotos: KabazuK Photography / Ronron-purpur.photography / Sónia Almeida Fotografia

Parceiros

Deixe uma resposta