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Tranquilidade enquanto cidadão; apreensão como médico

A situação atual em Portugal analisada pelo central da Seleção Nacional, que divide o exercício profissional entre o Andebol e a Medicina, entre a tranquilidade e a apreensão.

Pedro Seabra Marques divide paixões exercidas ao mais alto nível. O protagonismo desportivo dentro das quatro linhas, ao serviço do SL Benfica e da Seleção Nacional é conciliado com a responsabilidade de exercer funções como profissional de saúde.

O sucesso em ambas as funções é evidente. Por isso mesmo, a opinião de uma cidadão, profissional de saúde e jogador profissional de Andebol é relevante numa altura em que Portugal vive dias complicados devido à pandemia do novo coronavírus.

Pedro Seabra Marques: “Tranquilidade enquanto cidadão; apreensão enquanto médico”

Pedro Seabra Marques está, por estes dias, em isolamento e, em entrevista, admite que está a encarar toda esta situação com tranquilidade mas sempre atento ao que se vai passando no nosso país.

Estou a viver esta situação com a tranquilidade que se exige neste momento, obviamente com alguma apreensão pelas dimensões do problema e até por tudo aquilo que nos é exigido e recomendado.

É algo que já não estamos habituados há algum tempo, que mexam um bocado com as nossa liberdade mas, de facto, a melhor forma de combater este vírus é seguir à risca as recomendações.

Isolarmo-nos o mais possível. Sobretudo até pelas pessoas que mais gostamos. E, por isso, tem sido uma experiência diferente mas, como em qualquer outra coisa na vida, há sempre coisas que podemos aprender e podemos tentar tirar os pontos positivos de tudo isto.” – adiantou.

O atleta de 29 anos tem uma visão ligeiramente diferente e mais cautelosa, do ponto de vista de um profissional de saúde, mas acredita na força e união de todos os cidadãos para colocar um ponto final da pandemia do Covid-19.

Pedro Seabra Marques

Tranquilidade até falo mais como cidadão e não como profissional de saúde

É um momento especial. Quando falo de tranquilidade até falo mais como cidadão e não como profissional de saúde.

Ou seja, estando ciente de que o outcome de todos estes dias e desta pandemia depende muito de nós, do nosso comportamento enquanto cidadãos e, por isso, acho essencial mantermos a tranquilidade e a racionalidade para seguir as regras que nos parecem básicas mas que podem efetivamente parar esta transmissão do vírus.

Enquanto profissional de saúde, honestamente já me sinto um pouco mais apreensivo no sentido em que se a população não der esta resposta, ou até pela disseminação do vírus já estar ativa na nossa comunidade, a verdade é que iremos assistir nos próximos dias a um aumento exponencial dos nossos casos positivos.

Isto poderá lotar e esgotar o nosso Serviço Nacional de Saúde e os nossos hospitais. Avizinham-se dias muito complicados, mas os nossos profissionais de saúde já estão a fazer todos os possíveis para reorganizar o sistema de forma a disponibilizar o máximo de recursos possíveis, quer humanos quer materiais, para o combate à pandemia.

Já foram canceladas cirurgias programadas, consultas e tudo aquilo que não é urgente mas também se têm deparado com algumas dificuldades, nomeadamente com a falta de equipamento de proteção individual, entre outras coisas.

Mas, apenas para reforçar, o feedback que eu tenho recebido dos meus colegas que estão na linha da frente no hospital é de que a melhor ajuda que podem receber vem de todos os cidadãos.

Tranquilidade
Foto: PhotoReport.in

Isto significa cumprirmos as regras à risca

Isto significa cumprirmos as regras à risca para conseguirmos quebrar aqui a linha de contágio.

Por isso, sinto tranquilidade por um lado, para ter a racionalidade, respeitar tudo e não entrar num alarmismo desnecessário; mas também não podemos ignorar, obviamente, o perigo deste vírus e como cidadão e também profissional de saúde sinto também alguma apreensão pela gravidade de problema.” – afirmou.

Atualmente a defender as cores do SL Benfica, onde há mais de uma semana que não realiza um treino conjunto, Pedro Seabra Marques assumiu a gratificação pelas condições e orientações que o clube ofereceu nesta altura conturbada.

O último treino conjunto foi na última quarta-feira e desde então tivemos indicações para não nos deslocarmos ao pavilhão e para nos resguardamos o mais possível.

O clube, pela estrutura que tem, foi impecável. Desde logo disponibilizou-nos planos de treino individualizados só com exercícios que possamos fazer em casa com o peso do corpo ou, no máximo, com elásticos.

Enviou-nos também um plano alimentar para que possamos ter algumas orientações para uma fase em que, apesar de podermos treinar em casa, o ritmo e o desgaste é ligeiramente menor e até em termos de psicologia tivemos uma ajuda imediata uma vez que o nosso psicólogo colocou-se às disposição para ajudar quem precise.

Vamos tentar manter-nos o mais ativos possível

Felizmente aqui no SL Benfica temos a possibilidade de ter todo este acompanhamento e temos tentado seguir as indicações ao máximo, vamos tentando manter o contacto uns com os outros – já temos agendado uma espécie de encontro para estarmos todos juntos via Skype – e vamos tentar manter-nos o mais ativos possível para quando tudo isto regressar à normalidade estejamos todos bem e, seja qual for a decisão acerca dos jogos que faltam realizar esta época, estejamos também prontos para enfrentar esses desafios.” – reiterou.

No que toca à vertente desportiva, os efeitos da paragem forçada das competições poderá afetar o desempenho dos jogadores mas para Pedro Seabra Marques, haverá sempre uma solução à vista.

É uma incógnita tudo aquilo que está e ainda vai acontecer, por não sabermos qual será a duração deste problema. A verdade é que nenhum atleta, clube ou Federação sabe quanto é que vai durar esta paragem.

Obviamente que não é o ideal, mesmo em termos físicos porque existe aqui uma quebra a meio da época e acho quer depois vai depender da decisão e do tempo que temos para planear os jogos que faltam.

Acho que toda a gente que pertence ao mundo do desporto acha que vão existir soluções ideias mas a solução que for encontrada – e que for do mínimo agrado de todos os clube – será enfrentada e estaremos todos preparados.

Nunca será a solução ideal mas será igual para todos e também teremos que estar todos disponíveis para encontrar uma solução que seja razoável para o desporto.” – rematou.

Texto: Federação Portuguesa de Andebol

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